Movimentos sociais e ONGs denunciam projeto de aeroporto privado em Parelheiros

Ativistas de movimentos sociais caminham em frente ao aut√≥dromo de InterlagosIntegrantes de ONGs e movimentos sociais se concentraram neste domingo (24.11), em frente ao ¬†aut√≥dromo de Interlagos – onde ocorreu o Grande Pr√™mio de F√≥rmula 1 ‚Äď para denunciar a inten√ß√£o da empresa Harpia Log√≠stica de implantar um aeroporto privado em Parelheiros extremo sul da cidade de S√£o Paulo.

Portando faixas e cartazes com frases escritas em portugu√™s, ingl√™s e espanhol, o grupo manifestou rep√ļdio ao projeto do aeroporto em Parelheiros, j√° que o local faz parte da √°rea de preserva√ß√£o de mananciais. O ato foi organizado pelo Movimento Aeroporto em Parelheiros N√£o! e, contou com ativistas de diversos movimentos sociais e ONGs como a Espa√ßo de Forma√ß√£o Assessoria e Documenta√ß√£o, Movimento Gar√ßa Vermelha, Instituto Bigu√° Eco-Estudantil entre outras.

Eduardo Melander do Movimento Garça Vermelha destacou que a proposta do aeroporto é inaceitável, pois irá induzir a ocupação da região e promoverá a escalada do processo de especulação imobiliária e de expulsão da população mais pobre do local que certamente abrirá novas frentes de ocupação e desmatamento.

Elizete Almeida do Instituto Eco-Estudantil, lembrou que h√° anos se luta para preservar as √°reas de mananciais e n√£o h√° nenhuma justificativa para se permitir que um aeroporto se instale no local, e afirmou: ‚Äúqueremos chamar a aten√ß√£o das pessoas para esse absurdo, pois o assunto n√£o vem sendo discutido‚ÄĚ.

‚ÄúN√£o somos contra um novo aeroporto em S√£o Paulo, mas o local escolhido para o empreendimento fica ao lado da Represa Guarapiranga, o que pode colocar em risco o abastecimento de quase 25% da popula√ß√£o paulistana‚ÄĚ, justificou Mauro Scarpinatti, da Espa√ßo de Forma√ß√£o Assessoria e Documenta√ß√£o.

O projeto foi anunciado em 25 de julho deste ano pelo ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, e pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Na ocasião, foi informado que o aeródromo, da empresa Harpia Logística S.A., terá pista de 1,8 mil metros e, segundo os empreendedores, será capaz de operar até 240 mil pousos e decolagens por ano.

A ¬†licen√ßa pr√©via de instala√ß√£o foi negada pela Prefeitura de S√£o Paulo, pois a √°rea onde se pretende instalar o aeroporto possui diversas nascentes e faz parte da chamada Zona de Amortecimento do Parque Natural Municipal do Jasceguava e do Parque da V√°rzea do Rio Embu Gua√ßu, que s√£o protegidos conforme Lei Federal 9985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conserva√ß√£o da Natureza¬†(Snuc). Al√©m disso, de acordo com o Plano Diretor vigente, incidem naquele espa√ßo duas categorias de zoneamento: Zona Especial de Preserva√ß√£o Ambiental (Zepam), e Zona de Prote√ß√£o e Desenvolvimento Sustent√°vel. Mesmo assim, a empresa Harpia Log√≠stica, ¬†representada por Andr√© Skaf e Fernando de Arruda Botelho continuam tentando licenciar o empreendimento. Informa√ß√Ķes tem sido divulgadas de que as restri√ß√Ķes ser√£o retiradas no processo de Revis√£o do Plano Diretor em andamento e que a negativa da Prefeitura ser√° revertida.

√Č importante notar que as oficinas participativas realizadas pela prefeitura assim como as audi√™ncias p√ļblicas do Plano Diretor tem demonstrado que a popula√ß√£o ¬†deseja manter ¬†e refor√ßar a prote√ß√£o da √°rea.

Os integrantes do movimento afirmam que há uma intensa propaganda na região e denuncia a tentativa, de manobras de alguns políticos e empresários para promoverem mudanças no Plano Diretor para reclassificar o zoneamento local e  permitir a construção do aeroporto.

Um manifesto foi articulado pelo movimento e conta com a assinatura de 58 organiza√ß√Ķes, entre elas a Funda√ß√£o SOS Mata Atl√Ęntica, Instituto Polis e WWF-Brasil e o Instituto Socioambiental. O documento destaca que ‚Äúo projeto subordina claramente os interesses p√ļblicos ao interesse de um reduzido, min√ļsculo grupo privado‚ÄĚ, tendo em vista que ser√° destinado √† avia√ß√£o executiva.