ONGs tentam reação diante do rolo compressor da bancada ruralista

Dezenas de organizações lançam manifesto contra as políticas do Congresso e do Governo para áreas indígenas e o campo

Enquanto a bancada ruralista no Congresso se articula para aprovar e cumprir uma agenda voltada para o agronegócio, diversas entidades ambientais e de direitos humanos se organizaram para protestar contra uma política que, segundo dizem, vai contra "o futuro do país". Para isso, lançaram nesta semana um manifesto, assinado por dezenas ONGs e movimentos sociais brasileiros e internacionais, inclusive a Espaço de Formação Assessoria e Documentação.

O documento é essencialmente uma carta de repúdio à influência da bancada ruralista em temas relacionados a trabalhadores rurais e a indígenas de olho na opinião pública, já que, na correlação de forças do Congresso, a posição é minoritária.


Somente nos últimos 15 dias, uma sucessão de fatos envolvendo o trabalho no campo e políticas indigenistas ocorreram. No início do mês, a luta por terras no Maranhão deixou índios gamelas feridos; o presidente da Funai, Antônio Carlos, foi demitidoe o Governo Temer nomeou um general para exercer interinamente o cargo; o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), autorizou a instauração de uma comissão para debater a reforma trabalhista rural, texto que tem sido duramente criticado por entidades que defendem os trabalhadores no campo. Além disso, o relatório da CPI da Funai e do Incra chegou em sua etapa final e está pronto para ser votado na comissão que o analisa.


Neste contexto, diz o manifesto: "Em meio ao caos político que assola o país, a bancada do agronegócio e o núcleo central do Governo Federal fazem avançar, de forma organizada e em tempo recorde, um pacote de medidas que inclui violações a direitos humanos, "normalização" do crime ambiental e promoção do caos fundiário", diz o manifesto, de uma página e meia. "Se aprovadas, tais medidas produzirão um retrocesso sem precedentes em todo o sistema de proteção ambiental, de populações tradicionais e dos trabalhadores do campo, deixando o país na iminência de ver perdidas importantes conquistas da sociedade ocorridas no período democrático brasileiro".


Dentre as entidades que assinam o documento, estão a Amazon Watch, Conectas, Comissão Pastoral da Terra, CUT, Greenpeace, ISA - Instituto Socioambiental, MST, SOS Mata Atlântica, Observatório do Clima e WWF Brasil

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