RESERVATÓRIOS DE ÁGUA DE SÃO PAULO TÊM, JUNTOS, 37,7% DA CAPACIDADE

Mesmo com o temporal deste domingo (3), sistema Cantareira, o maior deles, teve redução no armazenamento e está em 29,6%



Por Joyce Ribeiro, do R7


O volume de armazenamento de água nos reservatórios de São Paulo continua caindo apesar do temporal deste domingo (3). O sistema Cantareira, o maior reservatório, tem nesta segunda-feira (4) apenas 29,6% da capacidade. Juntos, os sete mananciais totalizam 37,7% da capacidade para abastecimento da população, segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Três reservatórios operam em situação de alerta.


Apenas o sistema Rio Grande tem volume de armazenamento considerado normal, com 75,8%. Os outros mananciais registram menos da metade da capacidade: Rio Claro (35,6%), Alto Tietê (39,7%), Guarapiranga (44,9%), Cotia (48,7%) e São Lourenço (49,6%).


O Cantareira está em alerta. O sistema é formado por cinco reservatórios (Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro). Para o volume ser considerado normal, o manancial deveria ter ao menos 60% da capacidade de armazenamento. O índice atual é o pior dos últimos cinco anos.


A Sabesp tem uma escala para medir o volume útil dos reservatórios. O manancial apresenta estado normal quando o volume é igual ou superior a 60%; estado de atenção com o volume igual ou superior a 40% e inferior a 60%; em alerta, superior a 30% e inferior a 40%; e em restrição, superior a 20% e inferior a 30%. A medição de referência é a do último dia do mês.

A previsão era que a situação piorasse apenas no fim do ano, mas com a estiagem e as chuvas abaixo da média o problema se agravou.

Apesar disso, segundo a Sabesp, ainda não está prevista uma alteração na operação do sistema Cantareira.


Chuvas de verão


De acordo com a Climatempo, os acumulados de chuva devem ficar abaixo da média também nos meses do verão.


"Outubro dá início à estação chuvosa na capital. A média varia de 120 mm a 200 mm no mês. Mas as chuvas da primavera são isoladas e mal distribuídas. O temporal pode ser forte em uma cidade e não em outra. Isso não vai ajudar a reverter a situação de abastecimento de rios e reservatórios", explica Dóris Palma, meteorologista da Climatempo.


A situação se torna ainda mais grave porque também choveu pouco em dezembro de 2020, quando eram esperadas chuvas volumosas. O impacto pode ser sentido ao longo dos meses de estiagem.

"Para o verão, o cenário piora um pouco. Espera-se que as chuvas ganhem força, mas esse não será o cenário neste ano. Teremos chuvas abaixo da média em dezembro e em janeiro, com um pouco de melhora em fevereiro. Não é a ausência total, mas os acumulados não serão suficientes para alcançar a média, que é de 200 mm a 300 mm", afirma a meteorologista.


Reservação de água


A seca que atinge a mata do entorno dos reservatórios prejudica o armazenamento de água das chuvas. "O reservatório não é igual a uma piscina. Quando o solo está seco, primeiro ocorre a hidratação do solo, para depois haver o acúmulo da água. A recuperação dos reservatórios demora muito mais. Quanto mais baixo o nível, mais lenta a recuperação", ressalta Pedro Luiz Côrtes, professor de pós-graduação em ciência ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP.


O cenário ideal seria de chuva em toda a bacia do Paraná, sobre o rio Tietê e em regiões como Campinas, no interior, para abastecer o sistema Cantareira.


"Às vezes não precisa chover em toda a extensão do rio. Se chover na cabeceira, já melhora a afluência. Isso não reverte nem melhora significativamente o quadro, mas ajuda", destaca Dóris Palma.


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