O que se odeia no índio


“O que se odeia no índio não é apenas o ocupado espaço. O que se odeia no índio é o puro animal que nele habita, é a sua cor em bronze arquitetada. A precisão com que a flecha voa e abate a caça; o gesto largo com que abraça o rio; o gosto de afagar as penas e tecer o cocar; O que se odeia no índio é o andar sem ruído; a presteza segura de cada movimento; a eugenia nítida do corpo erguido contra a luz do Sol. O que se odeia no índio é o Sol. A árvore se odeia no índio. O rio se odeia no índio. O corpo a corpo com a vida se odeia no índio. O que se odeia no índio é a permanência da infância. E a liberdade aberta Se odeia no índio.” Texto: Reynaldo Jardim

Pindorama Filmes: 19 de Abril 2020 - Dia do Índio

#reinaldojardim #abrilvermelho

Agradecimentos: #mariabethania e #reinaldojardim por nos inspirarem nesse poema tão lindo quanto triste. Essa edição foi feita inicialmente para nosso próximo filme documentário Amazônia Sociedade Anônima mas que na edição final ficou de fora. A direção é de Estêvão Ciavatta, a edição é de Bernardo Pimenta e a fotografia de Dudu Mianda, Gustavo Hadba, Carlinhos Nascimento, Lula Cerri, Alê Ramos e Fernando Acquarone. Foram 520 anos de epidemias, massacres, confinamentos, escravização e usurpação. Mas os povos indígenas resistiram – e resistem. Agora, ameaçados por um Estado que lhes agride em vez de protegê-los, enfrentam a pandemia da Covid-19. Ao mesmo tempo, lutam contra iniciativas genocidas no Congresso, como o PL 191, que busca abrir suas terras à exploração, e a MP 910, que ameaça os territórios indígenas ao legalizar a grilagem de áreas públicas. Neste vídeo, Maria Betânia lê o poema “O que se odeia no índio”, de Reinaldo Jardim, que tenta explicar os sentimentos conflituosos de alguns brasileiros em relação aos povos originários. #abrilvermelho #índioénós #PL191não #MP910não #AmazoniaSociedadeAnonima

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