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Golpe 64: Os anos de chumbo refletidos nas telas

Filmes e séries buscam refletir e conservar a memória sobre um dos períodos mais sombrios do país


Por Marcelo Hailer | Revista Fórum | 29 de março 2024


No dia 31 de março de 1964, o Brasil foi alvo de um golpe de Estado perpetrado pelas forças militares em conluio com setores ultraconservadores da sociedade. Desse dia em diante, o país foi jogado em um dos períodos mais sombrios de sua história recente, marcado pelo fechamento do Congresso Nacional, censura à imprensa, perseguição, tortura e assassinato dos opositores ao regime militar.


Durante 21 anos, o país viveu silenciado e sob a pressão dos coturnos dos militares, que, além de perseguirem opositores, sufocaram qualquer expressão artística que propusesse o mínimo de reflexão. No lugar de reportagens, receitas de bolo; no lugar das obras de arte, censura e exílio.


No entanto, desde o fim da ditadura no Brasil, em 1985, centenas de obras de artes, das mais variadas linguagens, surgiram – e surgem até hoje – para refletir e também realizar um registro histórico do que significou viver sob a ditadura. Além disso, filmes, séries e livros buscam registrar movimentos e particularidades que ocorreram em resistência à ditadura e que poderiam ficar de fora da “narrativa oficial”.


Os filmes “Dzi Croquettes” e “Tatuagem”, por exemplo, buscam mostrar que as articulações em defesa da liberdade sexual ocorreram com força durante o regime militar e, claro, também foram combatidos com a mesma magnitude, fato que se reflete até hoje na LGBTfobia estatal.

Em outra esfera, obras como “Queridos Amigos” buscam dissecar que tipos de traumas a tortura, a prisão e o exílio podem deixar na vida das pessoas, e como cada uma delas lida com tais questões vivendo em um regime democrático.


Confira uma lista de filmes e séries sobre a ditadura militar, envolvendo a perseguição aos movimentos guerrilheiros, infâncias e adolescências destruídas pela repressão e o incipiente movimento LGBT+, que também foi barbaramente reprimido.


Anos Rebeldes (1992)


Escrita por Gilberto Braga, "Anos Rebeldes" é um marco na TV brasileira por uma série de motivos, mas principalmente por ser uma das primeiras que marcam o fim da censura e a primeira que trata, justamente, dos anos de chumbo.


A série acompanha um grupo de amigos da adolescência até a maturidade, quando o Brasil sofre um golpe de Estado que será um divisor de águas na vida de todos: parte do grupo apoia o golpe e outra se junta aos grupos políticos clandestinos que lutaram contra o regime militar. A série está disponível na Globoplay.



Quase Dois Irmãos (2004) 

Dirigido por Lúcia Murat, "Quase Dois Irmãos" conta a história de dois amigos de infância que durante o regime militar trilham caminhos distintos: um segue para o crime organizado e outro para o combate à ditadura.

O longa-metragem de Lúcia Murat também mostra como o encontro de presos comuns com presos políticos deu origem à organização Comando Vermelho. O filme está disponível na Amazon Prime Video.


Tatuagem (2013)


Escrito e dirigido por Hilton Lacerda, "Tatuagem" acompanha o dia a dia do grupo teatral "Chão de Estrelas", comandado por Clécio Wanderley (Irandhir Santos).

Como pano de fundo também há o envolvimento amoroso de Clécio com o soldado Arlindo (Jesuíta Barbosa), que serve ao Exército em plena ditadura militar e, por causa disso, passa a viver um impasse em sua vida. O filme também aborda como se dava a homofobia estatal durante os anos de chumbo. Disponível na Netflix.



Marighella (2019)


Adaptação da biografia "Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo", de Mário Magalhães, o filme, dirigido por Wagner Moura, acompanha a segunda etapa da vida de Marighella (Seu Jorge), que se dá em torno da organização da Ação Libertadora Nacional (ALN), até hoje considerada um dos principais grupos de guerrilha urbana no combate à ditadura militar. Disponível na Globoplay.


O Ano em que os Meus Pais Saíram de Férias (2006)


Longa-metragem sensível que narra os horrores da ditadura a partir da perspectiva do pré-adolescente Mauro, que é enviado para a casa do avô. O jovem acredita que os pais saíram de férias, mas na verdade eles tiveram de fugir, pois eram procurados pelo regime militar.

Dirigido por Cao Hamburger, "O ano em que os meus pais saíram de férias" foi sucesso de público e chegou a ficar entre os finalistas na disputa por uma vaga no Oscar, mas não conseguiu votos suficientes para seguir adiante. Disponível na Globoplay.



Batismo de Sangue (2006)


Baseado no livro de Frei Betto, "Batismo de Sangue" narra a história dos frades Tito, Betto, Oswaldo, Fernando e Ivo, que colaboram na logística do grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional (ALN), comandado por Carlos Marighella.

Dirigido por Helvécio Ratton, "Batismo de Sangue" está disponível na Globoplay



Betinho (2023)


A partir da vida de Betinho, a série "Betinho: No Fio da Navalha" narra vários momentos históricos do Brasil a partir de seu personagem principal, desde a fase em que ele é perseguido pela ditadura e tem que se exilar ao seu retorno ao país na abertura do regime e, posteriormente, a sua luta contra a fome.

Além disso, a série dedica boa parte de sua trama para destacar o início da luta contra a aids: Betinho e seus irmãos – o cartunista Henfil e o músico Chico Mário –, que eram hemofílicos, contraem o vírus do HIV, ainda completamente desconhecido da medicina, durante transfusão de sangue. A série está disponível na Globoplay.



Queridos Amigos (2008)


Dirigida por Denise Saraceni, "Queridos Amigos" é uma adaptação do livro "Aos Meus Queridos Amigos", de autoria de Maria Adelaide Amaral, que também assina o roteiro da série.

A trama é dividida em duas temporalidades: a primeira se dá durante o auge da ditadura no Brasil, nos anos 1970, e como tal evento histórico afeta um grupo de amigos. Com o fim do regime militar, eles se reencontram, porém nem todos superaram os traumas que os anos de chumbo deixaram, principalmente os que sofreram a violência da repressão na pele. A série está disponível na Globoplay.




Dzi Croquettes (2009)


Dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez, o documentário acompanha o auge e a derrocada do grupo Dzi Croquettes, que era comandado pelo músico e dançarino Lennie Dale e causou uma revolução sexual no eixo Rio-São Paulo em plena ditadura.

Inventivos e revolucionários, os Dzi Croquettes subverteram não apenas as identidades sexuais e de gênero, mas também transformaram o teatro, principalmente o gênero comédia. No entanto, o estrondoso sucesso chamou a atenção dos militares, que iniciaram uma perseguição implacável contra o grupo. O filme está disponível na Globoplay.


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