Nível do Cantareira volta a subir, mas não é possível falar em recuperação
- Mauro Scarpinatti
- há 4 dias
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Precipitações na primeira metade da estação chuvosa foram insuficientes, enquanto a retirada da água dos reservatórios cresceu

Por Ramana Rech ! O Eco | 29/01/2026
O volume útil do sistema Cantareira voltou a subir na semana passada, depois de ficar quase dez dias abaixo de 20%. O período de seca tem preocupado especialistas, que recomendam redução no consumo da água e na pressão das torneiras.
O Cantareira é o principal dos sete mananciais que compõem o Sistema Integrado Metropolitano (SMI) e abastecem a Grande São Paulo. Nesta quarta (28), o volume útil do SMI esteve em 33,6%, enquanto o do Cantareira ficou em 21,6%.
Em comparação, no dia 28 de janeiro de 2025, o volume útil do Cantareira estava em 51% e, em 2024, em 73%.
A hidróloga Adriana Cuartas, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), alerta que o pequeno aumento não representa recuperação do sistema. Para isso, seria necessário um armazenamento acima de 50%. As chuvas da última semana ajudaram a manter o sistema estável e evitar que os níveis caíssem de forma considerável, completa.
Em resposta à reportagem, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) disse que os desafios de abastecimento na região metropolitana de São Paulo são “históricos, estruturais e amplamente conhecidos, decorrentes de um sistema complexo, altamente demandado e sujeito a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes”. Mas que tem executado “obras estratégicas” para melhorar a segurança hídrica.
O reservatório foi prejudicado por uma baixa pluviosidade no fim de 2025 e pelo aumento da retirada d’água, diz Cuartas. Na primeira metade da estação chuvosa, que vai de outubro a dezembro, houve eventos curtos de chuva seguidos de períodos longos sem precipitação, diz nota técnica do Cemaden publicada no fim de outubro. No Sudeste, houve 50 dias sem chuva durante os três meses e, em algumas regiões, o número chegou a 60.
É o período chuvoso que abastece o Sistema Integrado Metropolitano (SMI) para que haja água na estação seca, que tem início em março. Em 30 de dezembro do ano passado, o SIM registrou seu menor volume útil, de 26,1%.
A presidente da SP Águas, Camila Viana, diz que houve uma queda no desempenho do sistema Cantareira a partir de agosto de 2025, em razão da diminuição das chuvas e da entrada da água no reservatório.
Hoje, a cidade está sob Gestão de Demanda Noturna (GDN), em que a queda na pressão nas tubulações dura 10 horas durante a noite. Segundo a Sabesp, a restrição noturna resultou na economia de 70,3 bilhões de litros de água desde agosto de 2025 até o fim de janeiro de 2026, o equivalente ao consumo mensal de 12,3 milhões de pessoas.
A GDN faz parte do sistema de gestão hídrica do estado de São Paulo, que estabelece sete faixas com gradação de restrição para economia de água a partir dos níveis de reservação dos sistemas metropolitanos.
Para a Adriana Cuartas, o período de restrição deveria ser ampliado, já que metade da estação de chuva já foi e os níveis do Cantareira permanecem baixos. “Nós não sabemos como vai ser a situação desses próximos dois meses em termos de chuvas e temperaturas, e a situação está muito crítica”, argumenta.




























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