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Pesquisa analisa as contradições da expansão urbana em Parelheiros

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Estudo da USP mostra que a valorização imobiliária e a dinâmica da metrópole ajudam a explicar as desigualdades no distrito, para além da falta de planejamento urbano




Parelheiros, na zona sul de São Paulo, está localizado a cerca de 50 quilômetros do centro da capital. Em poucos quilômetros, é possível encontrar áreas de preservação ambiental, sítios, grandes redes comerciais, condomínios e ocupações irregulares. À primeira vista, esses contrastes podem parecer resultado da falta de planejamento urbano. Uma pesquisa da USP, no entanto, propõe outra interpretação: essas diferenças fazem parte da forma como a metrópole produz e reproduz suas desigualdades.


Segundo Djalma Luiz Costa, autor da tese A reprodução da metrópole e a produção da periferia: o caso de Parelheiros, a produção do espaço urbano não pode ser compreendida apenas pela dinâmica local. “É justamente a produção do espaço metropolitano, marcada pela valorização imobiliária e financeira das áreas centrais, que induz e condiciona a produção de novos espaços periféricos, como ocorre em Parelheiros”, explica.


Além da falta de planejamento


Um dos principais argumentos da pesquisa é questionar a ideia de que as desigualdades em Parelheiros sejam resultado apenas da ausência de planejamento urbano. Segundo o pesquisador, essa explicação simplifica um processo mais complexo e pode ocultar uma lógica de planejamento seletivo, na qual investimentos e infraestrutura são direcionados a determinados territórios, enquanto outros permanecem em situação de precariedade.


Essa dinâmica, afirma Costa, favorece a valorização de algumas áreas e contribui para a reprodução das desigualdades socioespaciais no distrito.


Mercado imobiliário e acesso à moradia


De acordo com o pesquisador, o mercado formal de moradias em Parelheiros é acessível principalmente às famílias com renda estável. Já a população de menor renda, marcada pelo trabalho precário, pela informalidade e pelos baixos salários, encontra dificuldades para ingressar nesse mercado e acaba recorrendo a loteamentos irregulares, ocupações ou outras formas informais de acesso à moradia.


À medida que determinadas áreas do distrito se valorizam, os preços dos terrenos e dos imóveis aumentam, restringindo ainda mais o acesso à habitação e aprofundando desigualdades já existentes.


As contradições da urbanização


Para Djalma Luiz Costa, as ocupações não podem ser compreendidas apenas como consequência da pobreza ou da ilegalidade. Elas expressam, sobretudo, as contradições de um modelo de urbanização em que o acesso à terra e à moradia é mediado, fundamentalmente, pela lógica do mercado.


O pesquisador destaca que compreender essas dinâmicas é essencial para formular políticas urbanas capazes de enfrentar as desigualdades produzidas pelo próprio processo de expansão da metrópole.

*Sob supervisão de Marcia Avanza

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