Risco de morte por aquecimento global varia conforme o local onde a pessoa vive
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Relatório do Climate Impact Lab prevê até 10 vezes mais mortes por calor em países pobres até 2050

Por Por Evelyn Ludovina | Mídia Ninja | 25/03/2026
O aumento global da temperatura deve impactar de forma desigual diferentes regiões do mundo, e o risco de morte associado ao calor dependerá diretamente do local onde a pessoa vive e do nível de riqueza do país. Até 2050, países mais pobres devem registrar até dez vezes mais mortes relacionadas ao calor do que nações ricas. A estimativa é de cerca de 391 mil mortes anuais em países de baixa renda, contra 39 mil em países de alta renda. Os dados fazem parte de um relatório do Climate Impact Lab, que aponta a adaptação climática como elemento central e urgente nas estratégias para enfrentar as mudanças climáticas.
Segundo o estudo, o aquecimento global deve aumentar as mortes por calor extremo, ao mesmo tempo em que reduz as mortes causadas pelo frio. Regiões mais frias, como países da Escandinávia, devem registrar queda superior a 70 mortes por 100 mil habitantes. Já áreas mais quentes, como o Norte da África, o Oriente Médio e o sudoeste asiático, tendem a sofrer impactos mais severos. Na região do Sahel, países como Níger e Burkina Faso podem registrar aumento superior a 60 mortes por 100 mil habitantes — número maior que a atual taxa de mortalidade por malária no continente africano, estimada em 52 mortes por 100 mil pessoas.
A desigualdade também aparece entre países com clima semelhante, mas níveis de renda diferentes. Em Djibuti, a mortalidade relacionada ao calor deve crescer 55 mortes por 100 mil habitantes até 2050, taxa comparável à mortalidade atual por HIV/AIDS. Já no Kuwait, país mais rico e com clima parecido, o aumento previsto é de 25 mortes por 100 mil habitantes — menos da metade da mortalidade atual por doenças cardíacas. O relatório aponta que a capacidade econômica influencia diretamente a adaptação ao calor, com países mais ricos tendo melhores condições de investir em infraestrutura e tecnologias de refrigeração.
Nas cidades, os impactos também serão desiguais. Enquanto Phoenix e Madri devem registrar aumento de 600 e 525 mortes anuais, respectivamente, a cidade de Faisalabad pode perder até 9.400 vidas por ano devido ao calor extremo. O relatório destaca que cidades paquistanesas devem apresentar taxas de mortalidade superiores às atuais associadas à tuberculose, à doença pulmonar obstrutiva crônica e ao acidente vascular cerebral, tornando o impacto climático um dos principais fatores de risco à vida nessas regiões.
O estudo também aponta diferenças dentro de um mesmo país. Nos Estados Unidos, por exemplo, estados do norte devem registrar queda de até 60 mortes por 100 mil habitantes, enquanto o sul terá aumento de cerca de 10 mortes. Situação semelhante deve ocorrer na Bolívia, onde regiões mais baixas do sudeste podem ter aumento de 30 mortes por 100 mil habitantes — taxa comparável à mortalidade atual por diabetes —, enquanto áreas mais frias, como La Paz, podem registrar redução. Para os pesquisadores, esses dados reforçam a urgência de investimentos em adaptação climática, especialmente em países mais pobres e vulneráveis.


























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